{"id":4991,"date":"2017-05-27T11:51:52","date_gmt":"2017-05-27T11:51:52","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.maxieduca.com.br\/?p=4991"},"modified":"2019-04-22T18:34:06","modified_gmt":"2019-04-22T18:34:06","slug":"chutes-musicas-magicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.maxieduca.com.br\/blog\/william-douglas\/chutes-musicas-magicas\/","title":{"rendered":"Chutes, m\u00fasicas e outras m\u00e1gicas"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right;\"><em>por William Douglas<\/em><\/h4>\n<p>Isaac Asimov, um mestre da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, dizia que a tecnologia, para quem a desconhece, parece m\u00e1gica. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que aqueles que detinham o dom\u00ednio do fogo foram considerados deuses pelos povos dos locais aonde chegavam e que ainda n\u00e3o dominavam a t\u00e9cnica. A t\u00e9cnica parece m\u00e1gica. O problema \u00e9 que a academia n\u00e3o gosta de m\u00e1gica, achando-a arte menor, talvez mera distra\u00e7\u00e3o circense. E a academia, todos sabemos, embora devesse ser o lugar da inova\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias vezes foi o palco no qual os inovadores sofreram as mais duras e \u00e1cidas cr\u00edticas. Os exemplos s\u00e3o in\u00fameros. Por fim, \u00e9 comum que aqueles que dominam um paradigma n\u00e3o se sintam confort\u00e1veis com outros. Um bom exemplo de tudo o que estou falando \u00e9 o fato de que foram os su\u00ed\u00e7os que inventaram o rel\u00f3gio digital. Contudo, acostumados com sua perfei\u00e7\u00e3o em rel\u00f3gios mec\u00e2nicos, sequer retiveram para si a patente daquela inova\u00e7\u00e3o estranha, esquisita, diferente. Os norte-americanos e japoneses \u00e9 que valorizaram a inova\u00e7\u00e3o, e o desprezo pela inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica custou extremamente caro aos su\u00ed\u00e7os. Hoje, felizmente, convivem bem os rel\u00f3gios digitais e anal\u00f3gicos, a quartzo e mec\u00e2nicos, pois o mundo \u00e9 grande o suficiente, tendo espa\u00e7o para todos.<span id=\"more-5035\"><\/span><\/p>\n<p>Eu, l\u00e1 pela 8\u00aa s\u00e9rie de ensino fundamental, era o melhor aluno de Geografia, com as melhores notas e, por isso, o predileto do professor. Naquela \u00e9poca, imaturo, ainda julgava ter as melhores notas e o topo do p\u00f3dio, e, logo, o lugar de destaque, como algo que valia mais do que realmente vale. Vale, claro, mas n\u00e3o tanto quanto as pessoas pensam. Eu costumava tirar nota m\u00e1xima em todas as provas e uma das estrat\u00e9gias de estudo que utilizava era, sozinho, em casa, fazer um question\u00e1rio o mais extenso poss\u00edvel. Munido do livro e do caderno, imaginava toda e qualquer pergunta que o professor pudesse elaborar. A t\u00e9cnica era eficiente: em geral eu j\u00e1 tinha formulado e respondido a pergunta que apareceria na prova, e por fazer isso j\u00e1 estava com ela assimilada e memorizada, e ainda era r\u00e1pido para responder. A prova n\u00e3o era novidade e meu desempenho era t\u00e3o bom que parecia que tinha tido acesso pr\u00e9vio a ela. Na verdade, eu tinha. N\u00e3o era m\u00e1gica, como pensavam meus colegas, ou genialidade, como pensava meu professor.<\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo de compartilhar muito o meu question\u00e1rio. Por um tempo, gostava de ser o primeiro, e depois, mesmo quando comecei a ver que dividir \u00e9 algo que soma ou multiplica, a maior parte dos colegas achavam cansativo estudar em um question\u00e1rio t\u00e3o longo. Eles preferiam a comodidade e as notas baixas ou medianas. Tudo tem seu pre\u00e7o, afinal.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que certa feita estava em sala e um outro aluno, que desconhecia minha t\u00e9cnica, pediu ao professor de Geografia se ele poderia passar um question\u00e1rio para os alunos estudarem para a prova. O professor, de quem eu gostava, fez uma cara de desprezo, quase de nojo, dizendo que apenas alunos fracos precisavam de question\u00e1rio. Os bons alunos estudavam e aprendiam sem isso! Confesso que, marota e malvadamente, interrompi o professor e disse que eu estudava justamente por question\u00e1rios (e todos sabiam que rotineiramente a maior nota da turma era a minha). O professor ficou completamente desconcertado e meu coleguinha esbo\u00e7ou um aliviado sorriso.<\/p>\n<p>Sobre esse evento, tr\u00eas notas.<\/p>\n<p>Primeiro, j\u00e1 naquela \u00e9poca n\u00e3o gostava de ver algu\u00e9m menosprezar outrem, ainda mais em situa\u00e7\u00e3o que expressasse alguma inferioridade de armas. Professor ironizar aluno, ou professor j\u00e1 estabelecido ironizar professor em in\u00edcio de carreira, \u00e9 algo que n\u00e3o aceito. Meu lado crist\u00e3o assim como meu lado juiz me fazem n\u00e3o ficar silente.<\/p>\n<p>Segundo, na \u00e9poca, ainda gostava muito de enfrentar os professores. Arrogante, como \u00e9 comum nas pessoas com QI acima da m\u00e9dia (ali\u00e1s, nas pessoas com qualquer coisa acima da m\u00e9dia: cultura, dinheiro, beleza, poder), e j\u00e1 com notas acima das que tinham meus colegas, eu esgrimava com os professores. Aquilo, todos conhecem, de o aluno fazer uma pergunta que o professor n\u00e3o sabe. Eu tinha isso. Logo, provar que o professor estava errado sobre a validade dos question\u00e1rios era n\u00e3o s\u00f3 uma defesa do colega mas tamb\u00e9m um prazer pessoal. O tempo e muito sofrimento recebido e causado terminaram por, felizmente, me ensinar que devemos ser humildes e que os professores n\u00e3o existem para serem vencidos, mas sim ouvidos.<\/p>\n<p>Terceiro, aquilo que era desprezado pelo meu professor como algo \u201cmenor\u201d no mundo do estudo era, na pr\u00e1tica, eficiente, e isso o chocou. Ele desprezava algo que era eficiente, simples assim. Os mais estudados costumam ir se encastelando. Como o intelectual admira o saber e, logo, a capacidade de aprendizado, tende a, se n\u00e3o se cuidar, come\u00e7ar a desprezar quem n\u00e3o ocupa os mesmos patamares intelectuais. Assim como os ricos financeiramente tendem a, se n\u00e3o se cuidarem, desprezar os mais pobres, igual fen\u00f4meno ocorre entre os plasticamente belos, entre os poderosos, e assim vai a humanidade; vaidosa e, do ponto de vista humano, pobre. Pobres homens ricos, pobres homens poderosos, pobres homens sabidos e estudados, pobres homens bonitos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Chutes e mapas mentais<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>Eu j\u00e1 fui criticado asperamente por ensinar o aluno a chutar. N\u00e3o costumo responder a quem critica por criticar, mas \u00e0s vezes vale a pena dar algumas explica\u00e7\u00f5es, muito mais para meus alunos do que para os cr\u00edticos. Aquele que critica apenas por criticar nada quer aprender, mas os alunos \u00e0s vezes me procuram querendo saber minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora escreva muitos artigos, fa\u00e7o-o para defender teses e ideias, e n\u00e3o o caminho que escolhi dentro do variado leque poss\u00edvel no magist\u00e9rio. Merc\u00ea das oportunidades e privil\u00e9gios que tive, poderia ter seguido diversos caminhos, at\u00e9 gostaria de seguir todos, mas o tempo \u00e9 limitado. Ent\u00e3o, fiz minhas escolhas e estou muito feliz com elas.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o acho que cabe defesa de caminhos escolhidos, mas \u00e0s vezes vale uma conversa. Al\u00e9m disso, cabe uma distin\u00e7\u00e3o. Uma coisa \u00e9 defender, por exemplo, as cotas, como fa\u00e7o desde que este assunto era tabu. Dirijo-me a terceiros professando uma ideia. N\u00e3o \u00e9 assim no caso do chamado \u201cchute\u201d, tema que foi objeto de cr\u00edtica. Ensino o \u201cchute\u201d para meus alunos. N\u00e3o preciso fundamentar nada pois os alunos n\u00e3o s\u00f3 j\u00e1 me conhecem e confiam em mim como o sabem, por conta pr\u00f3pria, pois vivem esse momento em suas vidas, em que o chamado \u201cchute\u201d tem seu lugar no mundo das provas e concursos.<br \/>\nErra, ali\u00e1s, quem pensa que o \u201cchute\u201d s\u00f3 ocorrer\u00e1 em quest\u00f5es de m\u00faltipla escolha ou em quest\u00f5es mal formuladas. Enquanto existirem provas e concursos, haver\u00e1 espa\u00e7o para o \u201cchute\u201d e, logo, para o chute consciente. Mas sobre isso direi em seguida. Antes, algumas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 o desprezo que muitos intelectuais t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o aos mapas mentais, t\u00e9cnica originalmente desenvolvida por Tony Buzan, que \u00e9 de extrema efici\u00eancia, mas constantemente objeto de ironias daqueles que n\u00e3o precisam dela. Sim, algu\u00e9m com maior facilidade de aprendizagem pode dispensar os mapas mentais. Se os usassem, tais pessoas, j\u00e1 muito capazes, seriam ainda mais eficientes, mas n\u00e3o querem usar essas coisas esquisitas, diferentes do que sempre conheceram. . O que falta dizer \u00e9 que os mapas mentais s\u00e3o muito mais compat\u00edveis com a rede neural do que as anota\u00e7\u00f5es blocadas, ou seja, o conhecimento da neurologia e da arquitetura natural do c\u00e9rebro demonstram uma das raz\u00f5es da efici\u00eancia dos mapas mentais. N\u00e3o deveriam ser desprezados, portanto. Mas os intelectuais do mundo do Direito, que pouco conhecem de neuroaprendizagem, gastam seu tempo ironizando quem usa t\u00e9cnicas \u00fateis para democratizar o acesso ao conhecimento. Uma l\u00e1stima.<\/p>\n<p>Os mapas mentais fazem m\u00e1gica ao utilizarem a mais sofisticada tecnologia da aprendizagem, mas enfrentam s\u00e1bios que desprezam aquilo que parece algum tipo de malandragem. Uma pena, uma l\u00e1stima.<\/p>\n<p>Enfim, o que posso dizer \u00e9 que as cr\u00edticas aos professores que usam m\u00e9todos n\u00e3o ortodoxos s\u00e3o equivocadas. Ali\u00e1s, ao tratarmos das cr\u00edticas, precisamos fazer um corte: uma coisa \u00e9 criticar o sistema dos concursos e\/ou do ensino jur\u00eddico, o que \u00e9 v\u00e1lido; outra, \u00e9 criticar os professores dos cursos preparat\u00f3rios, os quais t\u00e3o somente preparam os seus alunos para aquilo que ser\u00e1 cobrado. N\u00e3o \u00e9 correto e, portanto, t\u00e3o logo percebida esta diferen\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 intelectualmente honesto culpar os professores pelos erros que s\u00e3o das provas.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas para aperfei\u00e7oar os concursos s\u00e3o bem-vindas, mas vale lembrar que aquele que se arvora em criticar os concursos deveria saber a imensa gama de concursos que temos. Nem todo mundo precisa saber Direito no n\u00edvel que sabemos. H\u00e1 concursos para cargos e n\u00edveis em que os candidatos s\u00f3 precisam saber o b\u00e1sico. Quem apoiaria a crueldade de, em um concurso para n\u00edvel m\u00e9dio, n\u00e3o existirem livros adequados para o concurseiro estudar? Friso isso: h\u00e1 uma parte dos livros simplificados, esquematizados e resumos que \u00e9 e sempre ser\u00e1 adequada. Errado ser\u00e1 se as bancas exigirem para um t\u00e9cnico de n\u00edvel m\u00e9dio o mesmo conhecimento (logo, o mesmo livro) que se exige para uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou concurso para as carreiras do MP ou da Magistratura.<\/p>\n<h4>O \u201cchute consciente\u201d e sua base cient\u00edfica. Ci\u00eancia da sele\u00e7\u00e3o, Estat\u00edstica, Heur\u00edstica, Conhecimento Residual, Teoria da Resposta ao Item etc.<\/h4>\n<p>Considerando a cr\u00edtica deselegante \u00e0 \u201ct\u00e9cnica do chute consciente\u201d, fa\u00e7o algumas r\u00e1pidas observa\u00e7\u00f5es. Qualquer cr\u00edtica leal ao meu artigo deveria mencionar as ressalvas que eu mesmo fa\u00e7o no corpo do texto de minha autoria (cujo link foi inserido no artigo do Professor Lenio). Eis aqui:<\/p>\n<p><em>\u201cAntes de come\u00e7ar, \u00e9 importante fazer algumas<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong>ressalvas<\/strong>. A atitude correta diante de uma quest\u00e3o que n\u00e3o se sabe n\u00e3o \u00e9 a tens\u00e3o, o nervosismo, o desespero ou coisa semelhante. A primeira atitude \u00e9 se prometer sinceramente que vai<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong>estudar mais<\/strong><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>para n\u00e3o passar t\u00e3o facilmente por essa situa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3xima prova.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O \u2018chute\u2019 n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata e n\u00e3o substitui a prepara\u00e7\u00e3o<\/strong>, \u00e9 apenas uma alternativa para, na falta do conhecimento necess\u00e1rio, arriscar uma resolu\u00e7\u00e3o. Refor\u00e7o,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong>o \u2018chute\u2019, por mais consciente que seja, n\u00e3o substitui o estudo<\/strong>. Al\u00e9m disso, nem sempre a resposta certa ser\u00e1 aquela que a \u2018t\u00e9cnica do chute\u2019 indicar. Estamos lidando com tend\u00eancias, chances, tentativas de acertar. Dito isso, vamos a alguns novos conceitos\u201d (grifos meus, neste dia).<\/em><\/p>\n<p>E encerro o artigo dizendo:<\/p>\n<p><em>\u201c<strong>Estude com afinco, prepare-se da melhor maneira poss\u00edvel<\/strong><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>e lembre-se do lema do BOPE: \u2018Treinamento duro, combate f\u00e1cil\u2019. Na prepara\u00e7\u00e3o para os concursos, quanto mais voc\u00ea treinar, fizer quest\u00f5es e conhecer a mat\u00e9ria, mais f\u00e1cil ser\u00e1 a prova e mais gols voc\u00ea far\u00e1,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong>com menos \u2018chutes\u2019<\/strong>\u201d (os grifos s\u00e3o meus, feitos nesta data).<\/em><\/p>\n<p>Da\u00ed, para qualquer um que queira criticar a t\u00e9cnica do chute, deixo uma quest\u00e3o de m\u00faltipla escolha, esperando que de forma serena escolha a alternativa correta.<\/p>\n<p>O que \u00e9 melhor quando o aluno n\u00e3o sabe uma quest\u00e3o:<\/p>\n<p>(a) n\u00e3o chutar, diminuindo a chance de ser aprovado;<br \/>\n(b) chutar de qualquer jeito, sem raciocinar; ou,<br \/>\n(c) chutar com consci\u00eancia, utilizando seu conhecimento residual e\/ou a heur\u00edstica?<\/p>\n<p>Recomendo ao aluno que estude, mas, na prova, se precisar, que seja inteligente. Intelig\u00eancia, em seu melhor conceito, \u00e9 \u201cadapta\u00e7\u00e3o em busca da felicidade\u201d (Luiz Machado, neurocientista brasileiro). Ali\u00e1s, atribui-se a Albert Einstein, Nobel da F\u00edsica de 1921 e Pr\u00eamio Max Planck de 1929, a preciosa li\u00e7\u00e3o de que a \u201cimagina\u00e7\u00e3o \u00e9 mais importante do que o conhecimento\u201d. Na condi\u00e7\u00e3o de professor de concursos, devo ensinar ao candidato como chutar com consci\u00eancia. Eu sei que esse exerc\u00edcio tem fundamento na Matem\u00e1tica, na Estat\u00edstica e na L\u00f3gica, mat\u00e9rias acad\u00eamicas cujo aprofundamento seria perda de tempo para o aluno de concursos. Eu poderia at\u00e9 mesmo dar a eles uma aula de \u201cconhecimento residual\u201d, \u201cheur\u00edstica\u201d, \u201cTeoria de Resposta ao Item\u201d, \u201ceducated guess\u201d, o que faria muitas pessoas me acharem o m\u00e1ximo, s\u00e1bio, inteligente, mas acho que seria uma maldade com o aluno, pois ele n\u00e3o precisa saber isso, j\u00e1 tem muito o que estudar, fam\u00edlia, press\u00e3o, d\u00edvidas etc.<\/p>\n<p>A beleza do \u201cchute consciente\u201d consiste justamente no fato de sua efic\u00e1cia ter como pr\u00e9-requisito o conhecimento, o racioc\u00ednio e o saber residual.<\/p>\n<p>Aos que criticam os concursos, lembro que nenhum m\u00e9todo \u00e9 perfeito. A grande pergunta \u00e9: que outro m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o seria mais justo e republicano? Adaptando a sabedoria de Winston Churchill: \u201cConcurso p\u00fablico \u00e9 a pior forma de sele\u00e7\u00e3o de servidores, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de todas as outras que foram experimentadas\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Sobre m\u00fasica e aprendizagem<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>O artigo tamb\u00e9m faz cr\u00edtica ao uso da m\u00fasica. O aluno aprender \u00e9 assunto, antes que jur\u00eddico, da Pedagogia, e os mais avan\u00e7ados estudos da Pedagogia e sobre neuroaprendizagem, com farta bibliografia dispon\u00edvel, recomendam a t\u00e9cnica. Ela \u00e9 antip\u00e1tica para muitos juristas, mas funciona. Os estudos sobre utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica para aprendizagem podem ser \u00fateis.<\/p>\n<p>Universidade de Yale, mais especificamente o<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><strong>Yale Center for Teaching and Learning<\/strong><span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span>(Centro de Ensino e Aprendizagem de Yale), publicou mat\u00e9ria que trata do<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/campuspress.yale.edu\/yctl\/active-listening\/\">\u201cActive Listening: Teaching with Music<\/a>\u201d. A Johns Hopkins School of Education publicou artigo que recomendo, \u201c<a href=\"http:\/\/education.jhu.edu\/PD\/newhorizons\/strategies\/topics\/Arts%20in%20Education\/brewer.htm\">Music and Learning: Integrating Music in the Classroom<\/a>\u201d.<\/p>\n<h4>Sobre como funciona ser aluno\/professor\/autor de curso\/livro para concursos<\/h4>\n<p>Ainda \u00e9 melhor lidar com as dificuldades do concurso do que com o que acontece quando os concursos n\u00e3o existem. Sem concursos p\u00fablicos, as pessoas s\u00e3o escolhidas por compadrio, parentesco ou aparelhamento pol\u00edtico. O mundo dos concursos tem suas mazelas, mas s\u00e3o mais nobres do que a indica\u00e7\u00e3o de esposa, amantes, filhos e amigos. Prefiro ensinar a passar do que chorar vendo cargos p\u00fablicos serem ocupados por quem n\u00e3o estuda.<\/p>\n<p>Outro ponto \u00e9 que os alunos de cursos preparat\u00f3rios merecem respeito. Qualquer pessoa sabe que os alunos de cursos preparat\u00f3rios n\u00e3o s\u00e3o bolsistas da CAPES ou CNPQ, ou aben\u00e7oados com licen\u00e7as remuneradas em seus cargos p\u00fablicos de origem. S\u00e3o pessoas que estudam \u00e0 noite, ap\u00f3s trabalho duro e antes de chegarem em casa para cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o se sacrificando e que, perdoe-me quem n\u00e3o gosta disso, merecem todo nosso esfor\u00e7o. Se uma m\u00fasica, uma roupa diferente, uma vuvuzela ou algum outro recurso andrag\u00f3gico for utilizado, isso merece meu aplauso, n\u00e3o meu riso de esc\u00e1rnio. Quem n\u00e3o gostar disso poder\u00e1 ir a outro lugar, quem gostar, assistir\u00e1. Democracia. E vamos ver quem passa na prova, pois desde que aprenda, qualquer que seja o caminho, desde que honesto, ter\u00e1 sido v\u00e1lido.<\/p>\n<p>No ramo dos concursos, para os professores n\u00e3o existe estabilidade. Professores mal preparados n\u00e3o se criam, porque vivemos de resultados pr\u00e1ticos e imediatos no mundo real. N\u00e3o temos Capes, ABNT nem Lattes, n\u00e3o temos que ter publica\u00e7\u00f5es, mas aprova\u00e7\u00f5es. Ou ensinamos o que \u00e9 necess\u00e1rio de um jeito que o aluno aprenda, ou estamos fora. Acho justo. Anoto que n\u00e3o tenho nada contra Capes, ABNT e Lattes, aprecio tudo o que trazem de bom dentro de seus espa\u00e7os. H\u00e1 no mundo espa\u00e7o para as mais variadas belezas. A academia \u00e9 bela, e o cursinho tamb\u00e9m, desde que cada um saiba bem o seu lugar e, nele, cumpra bem o seu papel.<\/p>\n<p>Como disse o Professor Marcelo Hugo da Rocha, no artigo<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/blog.passenaoab.com.br\/esquematizado-sistematizado-descomplicado-e-outras-simpatias\/\"><em>Esquematizado, sistematizado, descomplicado e outras simpatias<\/em><\/a>:<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o \u00e9 nosso objetivo julgar como s\u00e3o realizadas as provas e exames, [\u2026] elas est\u00e3o a\u00ed selecionando candidatos para o bem ou para o mal e ningu\u00e9m ficar\u00e1 eternamente se preparando com a leitura de notas de rodap\u00e9, cita\u00e7\u00f5es em alem\u00e3o, franc\u00eas e italiano.<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, [\u2026 ] o prop\u00f3sito do mercado editorial preparat\u00f3rio foi atender a uma parcela que precisava otimizar seu tempo, calibrar o seu foco, o suficiente para alcan\u00e7ar o objetivo final: a aprova\u00e7\u00e3o. Seja esquematizado, sistematizado, descomplicado, qualquer que seja a simpatia para ser APROVADO, \u00e9 leg\u00edtima a oferta. Quanto \u00e0 procura, veja que a \u2018prateleira\u2019 (ou tela do computador ou tablet) de uma livraria \u00e9 um espa\u00e7o democr\u00e1tico, onde a escolha do conhecimento \u00e9 livre, e quem escolhe n\u00e3o \u00e9 a editora ou o autor, principalmente, com os modernos sistemas de buscas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o por t\u00edtulos, ISBN, ano da publica\u00e7\u00e3o, DNA da autoria, nome da sogra do editor, enfim, por m\u00faltiplas escolhas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O Professor Lu\u00eds Roberto Barroso (em palestra na UERJ, ainda antes de se tornar Ministro do STF), ao falar sobre o ensino jur\u00eddico, foi indagado sobre o sistema de concursos p\u00fablicos. Na ocasi\u00e3o, afirmou que apesar de os manuais e livros da \u00e1rea diminu\u00edrem a complexidade do Direito e a sua erudi\u00e7\u00e3o, esse sistema cumpre um importante papel social: possibilita a ascens\u00e3o de pessoas que n\u00e3o teriam como conseguir sem eles. Afirmou, ainda, que h\u00e1 espa\u00e7o para a ind\u00fastria dos concursos e que ela \u00e9 importante para a democratiza\u00e7\u00e3o do ensino jur\u00eddico. \u00c9 uma \u00f3tima vis\u00e3o, na contram\u00e3o daqueles que prefeririam que o Direito fosse reservado a uma pequena parcela de iluminados. O tempo desse elitismo j\u00e1 passou.<\/p>\n<p>O mestre Agostinho da Silva disse, com propriedade, que \u201cO mestre \u00e9 o homem que n\u00e3o manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; n\u00e3o \u00e9 a palavra que incendeia, \u00e9 a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; n\u00e3o o interessa vender, nem ficar em boa posi\u00e7\u00e3o; tornar algu\u00e9m melhor \u2013 eis todo o seu programa.\u201d Em outras posi\u00e7\u00f5es, n\u00f3s podemos e devemos buscar melhorar o sistema, mas quando somos professores, o que precisamos fazer \u00e9 ajudar nossos alunos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Conclus\u00e3o<\/span><\/strong><\/h2>\n<p>Assim, fica aqui o registro de que:<\/p>\n<p>(a) devemos ter respeito por todas as pessoas;<\/p>\n<p>(b) quando formos criticar algo, vale a pena pesquisar antes e descobrir as raz\u00f5es e fundamentos, o lugar etc. daquilo que est\u00e1 sendo criticado;<\/p>\n<p>(c) os concursos p\u00fablicos, com todas as suas dificuldades, s\u00e3o a melhor e mais democr\u00e1tica forma de acesso aos cargos p\u00fablicos, e a que d\u00e1 mais oportunidades para os pobres, os discriminados ou n\u00e3o, ou seja, para todos;<\/p>\n<p>(d) os professores de cursos preparat\u00f3rios t\u00eam uma miss\u00e3o clara e simples, que \u00e9 preparar seus alunos para serem aprovados. N\u00e3o nos cabe corrigir as falhas das provas, isso cabe ao Governo, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s bancas examinadoras e \u00e0 academia. Podemos e queremos dar nossa contribui\u00e7\u00e3o, temos ideias e sugest\u00f5es, mas n\u00e3o aceitamos que seja imputada a n\u00f3s uma culpa que pertence a outros. Somos parte da solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do problema;<\/p>\n<p>(e) n\u00f3s, professores, sempre usaremos os m\u00e9todos mais eficientes para que nossos alunos realizem seus sonhos. Quem n\u00e3o gostar, que aprenda a lidar com isso, pois vamos continuar fazendo bem o nosso trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vejam que tema interessant\u00edssimo trouxemos hoje, atrav\u00e9s do nosso querido William Douglas&#8230;.<br \/>\nO \u201cchute consciente\u201d e sua base cient\u00edfica. ci\u00eancia da sele\u00e7\u00e3o, estat\u00edstica, heur\u00edstica, conhecimento residual.<br \/>\nIsso \u00e9 s\u00f3 um come\u00e7o, tem muito mais esperando por voc\u00ea&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":40,"featured_media":3683,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[97],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Chutes, m\u00fasicas e outras m\u00e1gicas<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Isaac Asimov, um mestre da fic\u00e7\u00e3o 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